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Em dois anos, setor automotivo corta 200 mil empregos

12 Set 2016 - 14h16
A crise que levou à redução drástica nas vendas e na produção de veículos no Brasil provocou o fechamento, de 2014 até agora, de 31.000 vagas nas montadoras, onde normalmente os empregos são considerados de melhor qualidade. Também por causa da situação ruim do setor, foram demitidos mais de 50.000 trabalhadores nas autopeças e mais de 124.000 nas concessionárias, numa conta que supera 200.000 cortes.

Os números vão seguir em alta, pois ainda há ajustes a serem feitos em algumas fábricas, como as de Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR), onde a Volkswagen deve seguir o mesmo procedimento realizado na unidade do ABC paulista, com abertura de programa de demissão voluntária (PDV), que atraiu pelo menos 1.200 funcionários nos últimos dias.

No fim de 2013, as montadoras do País empregavam 157.000 trabalhadores, número que, em agosto, era de 126.000. Desse total, 2.500 estão em lay-off (com contratos suspensos por cinco meses) e 19.800 no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que reduz jornada e salários.

Nos últimos dois anos e meio, apenas duas das quatro maiores montadoras do país – as americanas General Motors e Ford – somaram prejuízos de 3,9 bilhões de dólares (12,7 bilhões de reais) na América do Sul, região em que o Brasil responde por quase 60% das vendas. As duas marcas e a Fiat Chrysler são as únicas que divulgam balanços financeiros na região.

O único dado positivo das montadoras são as exportações, em parte ajudadas pela questão cambial. No ano passado as vendas externas somaram 417.000 veículos, quase 25% a mais que em 2014. Neste ano, a previsão é de superar 500.000 unidades.

O problema é que o carro nacional só consegue chegar a países da América Latina, cuja demanda total é inferior ao mercado brasileiro. Além disso, para alguns deles, é mais barato importar da China ou dos Estados Unidos.

“O Brasil precisa sair para fora da América Latina, pois o mundo é muito maior que isso”, diz Custódio. Mas a falta de acordos comerciais com outros países, e principalmente a falta de competitividade do produto nacional, torna esse caminho bastante difícil.

O consultor da Roland Berger cita, por exemplo, o nível de automação – que é um elemento de competitividade – na indústria local. “O Brasil tem 30.000 robôs nas fábricas e, para se equiparar à média mundial precisaria ter 200.000”.

Outro exemplo é a falta de escala de produção. Levando-se em conta a grande quantidade de modelos produzidos no país, a média brasileira é de 30.000 unidades ao ano por modelo. Nos EUA é de 110.000, no México de 90.000 e na Alemanha de 80.000 . Segundo Custódio, o investimento em um novo carro é muito alto e, sem escala produtiva, pode ser inviável.

Outro fator citado por ele é a urgente necessidade de recuperação do parque de fornecedores, que passa por grandes dificuldades e muitas empresas estão quebrando ou entrando em recuperação judicial.

 

Informações da Veja.com

 
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