Lava-jato

Delator confirma a Moro repasse de R$ 2,1 milhões a Dirceu

02 Set 2016 - 11h31
O lobista Julio Camargo confessou na última quarta-feira, 31, ao juiz federal Sérgio Moro - que conduz os processos da Operação Lava Jato em primeira instância - que abriu portas para empresa Apolo Tubulars na Petrobras por intermédio do ex-diretor de Serviços Renato Duque. Pelo negócio, ele diz ter repassado cerca de R$ 2,1 milhões para o ex-ministro José Dirceu, entre 2010 e 2013, por indicação do ex-executivo da estatal que era apadrinhado do petista.

Julio Camargo é delator da Lava Jato e confessou ser próximo de Dirceu e dos negócios controlados pelo PT na Petrobras, via Diretoria de Serviços. Duque, preso há um ano e meio pela Lava Jato, retomou no último mês tratativas com a força-tarefa de procuradores para um acordo de delação premiada. Ele foi indicado ao cargo em 2003 na cota comandada por Dirceu. "Tenho 30 anos de trabalho como representante de grandes empresas na Petrobras."

"Dentro desse relacionamento anterior (com Renato Duque) haviam pagamentos indevidos que eu fazia ao senhor Pedro Barusco (ex-gerente de Engenharia) e ao senhor Renato Duque. Quando essa operação com a Apolo teve êxito, eu fui ao doutor Duque e disse que tinha um contrato que não faz parte do nosso dia-a-dia, foi oportunidade que eu tive onde o senhor se interessou e deu apoio para verificar o que estava acontecendo internamente e quero dizer o seguinte: eu estou ganhando 2% de comissão e estou à disposição se o senhor quiser alguma coisa disso", afirmou Julio Camargo, em audiência em ação penal sobre pagamento de propina para Duque e Dirceu, em contrato da Apolo na Petrobras.

Julio Camargo contou ao juiz que foi procurado por executivos da Apolo para que ele conseguisse na Petrobras que a empresa passasse a integrar a lista de convidadas para fornecimentos de produtos. O lobista disse que procurou Duque e que esse disse que resolveria o assunto.

A força-tarefa da Lava Jato sustenta na denúncia do caso que "foi comprovado que os executivos da empresa Apolo Tubulars, Carlos Eduardo de Sá Baptista e Paulo Cesar Peixoto de Castro Palhares, interessados em adentrar no mercado de tubos e celebrar grandes contratos com a Petrobras, solicitaram a intervenção de Júlio Gerin de Almeida Camargo junto a Renato Duque para que a empresa fosse beneficiada perante a estatal". As informações são do Jornal

 

O Estado de São Paulo

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