dengue
Brasil

Da telona para a telinha

26 Ago 2018 - 10h00
Cinema e televisão eram universos tão distintos que, até há pouco tempo, era difícil encontrar astros que surgiram na telinha e foram estampar os pôsteres de Hollywood - George Clooney, surgido na série Plantão Médico e alçado ao papel de galã de cinema. O caminho inverso, do cinema para a TV, era considerado rebaixamento. Hoje, Meryl Streep, Emma Stone, Amy Adams, para ficar em três mulheres poderosas de Hollywood, migram para a tela pequena - e ela pode ser a televisão, nos canais por assinatura, ou nas plataformas de streaming, de vídeo on demand, como Netflix, Amazon Prime, entre tantos outros.

No Brasil, o movimento se repete. Não é por acaso que a produtora Conspiração Filmes, por exemplo, fundiu seu departamento de televisão e cinema em um só - ambos, agora, ficam debaixo do guarda-chuva de entretenimento. Renata Brandão, CEO da empresa, diz que, em 2018, a procura por produtos audiovisuais para TV cresceu 30%. "Hoje são muitos players de streaming que, quatro anos atrás, sequer existiam."

De fato, o streaming mudou o jogo. Assim como a conhecida Lei da TV Paga, em vigor desde 2012, a partir da qual os canais brasileiros passaram a ter, pelo menos 3 horas e meia de produção nacional na sua programação semanal. "(A lei da TV paga e a chegada do streaming) são os impulsionadores dessa mudança de comportamento no consumo do entretenimento no qual vivemos", diz Renata. "É um momento bom para esse tipo de conteúdo."

Em todo o mundo, tem havido uma migração do pessoal de cinema para novas plataformas que estão provendo o público com filmes e séries de televisão. No Brasil, não é diferente. Para a produtora Mariza Leão, da Morena Filmes, o movimento é inevitável. "Os cinemas estão formatados para os blockbusters, e não abrigam mais nenhum outro tipo de produção. Qualquer outro filme fica uma semana, ou num horário especial, olhe lá. A TV paga é cara. O que sobra? O streaming. Cada vez mais vai se firmar como a plataforma para se ver filmes, todos os tipos de filmes. Você só não precisa ser apressadinho. Para as chamadas grandes estreias, o público terá de continuar indo ao cinema."

É assim que uma das grandes produtoras do cinema brasileiro avalia o fenômeno - se não está todo mundo migrando para a Netflix e a Amazon, cada vez mais tem gente flertando com as plataformas de streaming que já atingem, em todo o mundo, mais de 100 milhões de assinantes. É uma questão de sobrevivência para atores, roteiristas, diretores. "As grandes emissoras de TV aberta não têm mais muita gente da teledramaturgia sob contrato. A imensa maioria é chamada só para trabalhos pontuais." E tem mais - enquanto as emissoras abertas e até canais pagos dependem da aprovação e da burocracia da Ancine para produzir seus filmes, a Netflix trabalha com aquilo que, no mercado, se chama de 'dinheiro bom'. É dinheiro dela, não do contribuinte.

A própria Mariza continua cheia de projetos para cinema. Acaba de estrear Como É Cruel Viver Assim, dirigido pela filha, Julia Rezende, e estreia em 13 de setembro O Paciente, do marido, Sérgio Rezende, sobre o período em que Tancredo Neves, prestes a se converter em presidente do Brasil, teve de ser hospitalizado e o desenlace foi trágico. "Julia nunca teve críticas tão boas, quem vê Como É Cruel gosta muito, mas o filme vai ficar nos 10 mil espectadores. O Animal Cordial, outro grande sucesso de crítica, fica nessa faixa - de 10 a 20, 30 mil espectadores. É uma tragédia, essa nova realidade do mercado, que só favorece blockbusters." Por isso mesmo, Mariza anuncia que, a par de seus projetos já encaminhados no cinema, tem outros que vai submeter às provedoras globais.

Experiência em séries, ela tem. Com o marido, fez Questão de Família, que teve três temporadas no GNT e foi um sucesso, empregando 80 atores e 60 técnicos. Sua filha, Julia, já se adaptou aos novos tempos e participa da série de Caito Ortiz, Coisa Mais Linda. Estrelada por Maria Casadevall, conta a história de uma mulher que herda o negócio do marido e precisa se reinventar, no fim dos anos 1950, na época da bossa nova. Naquele tempo, a maioria das mulheres ainda era do lar, com maridos provedores. Privada do seu, a personagem de Maria incrementa com amigas uma boate em que se apresentam expoentes do novo movimento musical. Não é só a música, é todo um Brasil que muda. Os anos JK, desenvolvimentismo, as mulheres. Julia dirige dois episódios. Hugo Prata, de Elis, dirige outros dois. A expectativa por um produto sofisticado - como a bossa nova? - é grande.

De volta a O Animal Cordial. Quando esteve em São Paulo para promover o longa de Gabriela Amaral Almeida, o ator e agora também diretor Murilo Benício disse que está prestes a lançar O Beijo, sua brilhante e inovadora adaptação da peça O Beijo no Asfalto, mas o que gostaria mesmo é de parcerias com escolas e universidades, para que a obra atinja um de seus objetivos primordiais - divulgar o dramaturgo Nelson Rodrigues para uma nova geração. Benício já filmou e, desvencilhado de O Beijo, espera se concentrar na montagem e pós-produção de Pérola, que adaptou de Mauro Rasi. Não, a mulher de Benício, Débora Fallabela, não está em Pérola, mas ele anuncia que engata daqui a pouco um projeto inteiramente formatado para ela.

O casal adquiriu os direitos de uma série britânica - da BBC - que, desde a primeira temporada, tem feito sensação. Doctor Foster é sobre uma médica de sucesso, que leva a vida perfeita. Emprego, casa, marido, filhos, tudo 10. E aí, no cachecol do 'esposo', ela descobre um fio de cabelo loiro. Investiga e descobre a infidelidade. O mundo vem abaixo e a boa médica vira uma fera. Medeia, que lhe serviu de inspiração, foi menos assassina que a Dra. Foster, e olhem que a heroína da tragédia grega matou até os filhos.

Os 'casos' se sucedem. Depois de participar de uma série internacional da Netflix, na Austrália - em inglês! -, Marco Pigossi estrela agora a minissérie live action do brasileiro Carlos Saldanha, gravada no Brasil. Cidades Invisíveis é sobre detetive/Pigossi que investiga série de assassinatos ocorrida em dois mundos - o nosso e aquele do qual surgem, como assassinas, figuras míticas do folclore brasileiro. Ou seja, Saldanha, de Rio, continua com o pé na animação. Tem também Guilherme Fontes, que, após o imbróglio de Chatô - toda aquela confusão resultou num grande filme -, estreia nesta segunda, 27, no canal a cabo Space, sua série Pacto de Sangue. O próprio Fontes interpreta Silas, o ambicioso repórter de TV que leva a profissão na tênue linha entre a denúncia e o sensacionalismo. Fontes embaralha o tempo, o espaço e o repórter, que já viu o primeiro episódio, concorda com ele - "É forte!"


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Matérias Relacionadas

Geral

Número de mortes por enchentes no RS aumenta para 176

Corpo não identificado foi encontrado em Venâncio Aires
Número de mortes por enchentes no RS aumenta para 176
Segurança

(Vídeo) Dono de loja de celulares reage a assalto e deixa criminoso gravemente ferido

Imagens mostram o assaltante entrando na loja armado com uma pistola e anunciando o assalto.
(Vídeo) Dono de loja de celulares reage a assalto e deixa criminoso gravemente ferido
Geral

Pesquisa do IBGE mostra a falta de identificação de ruas e endereços na região

Segundo os dados, Corupá tem 37% dos imóveis sem identificação oficial
Pesquisa do IBGE mostra a falta de identificação de ruas e endereços na região
Geral

Tempo firme e seco dá lugar à instabilidade e chuva no fim de semana em SC

A partir da noite de sábado (15) volta a chover de forma persistente no norte gaúcho, devido a uma frente semi-estacionária que por alguns momentos se aproxima mais do estado catarinense
Tempo firme e seco dá lugar à instabilidade e chuva no fim de semana em SC
Ver mais de Brasil