transito
Brasil

Com Ciro, Transnordestina não avançou

25 Ago 2018 - 14h25
As "medidas simples" que o candidato Ciro Gomes prometeu adotar para destravar a maior parte das 7.600 obras de infraestrutura paralisadas em todo o País não chegaram aos canteiros da Ferrovia Transnordestina, maior projeto ferroviário do Brasil que o presidenciável do PDT comandou entre 2015 e 2016. O jornal O Estado de S. Paulo fez um levantamento sobre as obras da Transnordestina na gestão de Ciro, mobilização de trabalhadores, evolução física do projeto, revisões de estudos e desempenho financeiro do empreendimento liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

As informações do projeto, que já consumiu mais de R$ 5,7 bilhões dos cofres públicos, segundo o Ministério dos Transportes, foram obtidas com base em cruzamento de relatórios da própria CSN, que constrói a ferrovia em sociedade com a estatal Valec, fiscalizações realizadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU).

Ciro chegou à presidência da concessionária Transnordestina Logística em 3 de fevereiro de 2015, com a promessa de destravar o projeto de 1.753 quilômetros de extensão e acelerar a conclusão da ferrovia que, depois de nove anos de obras, tinha alcançado apenas 518 quilômetros de trilhos. O orçamento de R$ 4,5 bilhões havia crescido para R$ 7,5 bilhões e o cronograma de entrega, antes previsto para 2010, não tinha mais data.

Durante todo o ano de 2015, Ciro entregou um total de 81 quilômetros de trilhos, o equivalente a 4% do projeto. A Transnordestina terminava aquele ano com 599 quilômetros de traçado, sem avançar. Em 2016, conforme balanços da CSN e da ANTT, a evolução foi zero.

Também houve demissões no empreendimento durante a gestão do pedetista. Em fevereiro de 2015, quando Ciro chegou à empresa, havia 5.356 trabalhadores mobilizados na ferrovia, conforme balanço auditado pela Delloite.

O contingente chegou a subir para 6.401 funcionários dois meses depois, mas despencaria nos meses seguintes. Em maio de 2016, quando Ciro deixou a empresa, a Transnordestina tinha 1.261 empregados, 4.095 pessoas a menos.

Na ocasião, Ciro declarou que se afastava da empresa "para evitar que perseguições políticas a sua posição contra o governo interino" de Michel Temer interferissem "no andamento da obra". À época, no entanto, uma decisão paralisava a obra de vez.

O ministro do TCU Walton Alencar Rodrigues havia determinado que mais nenhum centavo de dinheiro público poderia ser liberado à Transnordestina por causa de "vícios insanáveis" e mudanças de projeto, entre elas o seu preço. "Sequer existem elementos que permitam aferir o custo real da obra", disse o ministro.

A decisão bloqueou todos os repasses da Valec, BNDES, Fundo de Investimento do Nordeste (Finor), Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). O TCU chegou a suspender a liminar que paralisava os repasses, mas voltou atrás e a medida se mantém até hoje.

Ciro foi procurado pela reportagem desde quarta-feira para comentar o assunto, mas não se manifestou até a conclusão da edição.

A concessionária Transnordestina foi questionada sobre cada informação atrelada a suas operações e à gestão de Ciro, mas apenas afirmou que "não comenta assuntos que envolvem política".

Nesta semana, ao participar de um fórum da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), o presidenciável do PDT disse ser possível retomar dois terços das obras paralisadas com "medidas simples". "O foco é em obras paradas. Tem 7,6 mil obras paradas, dá para a gente ativar dois terços delas com conversa com juiz, conversa com promotor, normativas de menor hierarquia, assumir a proteção do servidor público que está com dificuldade de assinar as coisas, mudar normas. Estive no BNDES, eles têm R$ 150 bilhões para financiar concessões. Já estou fazendo conta com esse dinheiro."

Histórico

O contrato original da Ferrovia Transnordestina tinha por base a concessão da chamada "Malha Nordeste", que pertencia à extinta Rede Ferroviária Federal S.A. e tinha extensão total de 4.238 quilômetros com ligações em Recife, Fortaleza e São Luís (MA). A concessão integral dessa malha foi feita em 1997 por meio de leilão vencido pela Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), empresa que, em 2008, passou a se chamar Transnordestina Logística.

Em 2005, por meio de resolução e sem realizar licitação, a ANTT autorizou a concessionária a tocar as obras de construção de um novo traçado da Transnordestina, com 1.753 quilômetros, deixando de lado todo o resto da malha que a empresa tinha assumido.

Em 2006, essas obras tiveram início, estimadas em R$ 4,5 bilhões e com prazo de conclusão em 2010. Atrasado, o projeto teve seu prazo de conclusão estendido para 2016 e o custo foi ampliado para R$ 7,5 bilhões. Atualmente, está estimada em mais de R$ 11,2 bilhões e não tem data de conclusão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Matérias Relacionadas

Economia

Copom decide nesta quarta se corta ou mantém juros básicos da economia

Taxa Selic, em 10,5% ao ano, pode ser mantida ou cair 0,25 ponto
Copom decide nesta quarta se corta ou mantém juros básicos da economia
Segurança

Mais de 20 cidades Catarinenses são alvos de operação de combate à corrupção e fraudes

A operação "Fundraising" cumpre 11 mandados de prisão preventiva, cinco de suspensão do exercício das funções públicas e 63 de busca e apreensão.
Mais de 20 cidades Catarinenses são alvos de operação de combate à corrupção e fraudes
Geral

(VÍDEO) Avião 'dá cambalhota' durante pouso em aeroporto do Paraná

Rajada de vento teria provocado o acidente
(VÍDEO) Avião 'dá cambalhota' durante pouso em aeroporto do Paraná
Geral

STF retomará julgamento sobre descriminalização do porte de drogas

Matéria será discutida na quinta-feira (20)
STF retomará julgamento sobre descriminalização do porte de drogas
Ver mais de Brasil