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Mais jovem país do mundo, Sudão do Sul completa 1 ano pobre e violento

9 JUL 2012 • POR • 12h01

Há um ano, um novo país surgia no mundo, e, com ele, a esperança de um futuro menos violento e menos pobre para os africanos do Sudão. Mas os dias passaram e a vida não ficou mais fácil para quem vive no agora dividido território: conflitos de fronteira, briga pelo petróleo, falta de serviços públicos que funcionem e lutas tribais mostram que é preciso mais que um plebiscito para reerguer uma região devastada pela mais longa guerra civil africana.

O Sudão do Sul virou país em 9 de julho do ano passado, após uma votação nacional prevista no acordo de paz que pôs fim à 21 anos de luta entre o governo do Sudão e os rebeldes do Sul - uma guerra por questões religiosas, por poder político e pelo petróleo.

A nova nação tem 10,6 milhões de habitantes (mais da metade com menos de 30 anos), um Produto Interno Bruto ainda indefinido e um dos piores índices de pobreza do mundo. Segundo a missão da ONU, 90% da população é considerada pobre, menos de 10% das crianças completam o primário, 92% das mulheres são analfabetas, uma em cada sete crianças morre antes de completar um ano e 85% da população não tem acesso a postos de saúde.

Além da questão humanitária, outros problemas atravancam o desenvolvimento do Sudão do Sul e podem agravar ainda mais a situação do mais novo país do mundo:

Deslocados e refugiados
A guerra civil no Sudão matou 2 milhões de pessoas e forçou o deslocamento de 4 milhões, segundo a ONU. Sulistas que migraram para o norte e para países vizinhos começaram a voltar para suas cidades-natais em 2005, mas segundo a agência da ONU para refugiados, a Acnur, ainda hoje 209 mil sul-sudaneses continuam vivendo fora do país.

Em março deste ano, líderes dos Sudões se encontraram para discutir um acordo chamado de 'Quatro liberdades', que daria direitos de livre trânsito, trabalho, propriedade e residência a todos os sudaneses dos dois países. Mas as negociações foram interrompidas no final, e Cartum anunciou que os sul-sudaneses precisariam deixar o território do norte até abril deste ano. Por pressão internacional, o país adiou o prazo para maio, e Juba se comprometeu a investir para repatriar seus cidadãos.

Entre as dificuldades para voltar, está o fato de que Cartum exige que os retornantes tenham uma documentação de emergência emitida pela embaixada do Sudão do Sul em Cartum, mas o processo é lento. Muitos sul-sudaneses no Sudão não têm certidão de nascimento nem carteira de identidade.

Outro problema que tem atingido o Sudão do Sul é uma onda de refugiados vindos do Sudão devido a combates na fronteira.

A enfermeira brasileira Ana Lúcia Bueno chegou na última quinta-feira de um desses campos, onde trabalhou como coordenadora médica adjunta para a organização Médicos Sem Fronteiras, por um mês e meio. Segundo ela, a situação é de emergência: "Todos os dias chegam de 700 a mil pessoas. O campo onde trabalhei agora, em Yida, tem hoje 60 mil pessoas, e é um fluxo novo, então a estrutura está sendo montada agora. A estação das chuvas agrava ainda mais a situação, pois as estradas não são mais transitáveis. O que mais vemos é diarreia, infecção respiratória e malária."

GLOBO.COM.BR