Aldo Baldin: o grande tenor brasileiro

Para o maestro Helmuth Rilling Baldin “Era um companheiro de trabalho em vários sentidos. Por um lado ele era um maravilhoso cantor, um artista que dominava seu ofício.

02 Nov 2018 - 12h01Por Magnus Behling

Aldo Ba ldin foi um dos maiores tenores que o Brasil já teve. Filho de imigrantes italianos nasceu em Urussanga em 1945. Estudou piano e violoncelo em Porto Alegro e canto com Eliane Sampaio no RJ.

O maestro Karl Richter, fascinado pela sua linda voz, conseguiu uma bolsa para ele estudar na MusikHochhulle de Frankfurt – Alemanha. Continuou seus estudos em Berlim e Paris. Baldin se destacou na ópera, principalmente nas obras de Mozart e Handel, e na música sacra de Bach.

Foi professor da Escola Superior de Música de Karlsruhe. Era rigoroso e especialmente meticuloso com os tenores.

A pianista Fany Solter comenta que "ele era um professor severíssimo. Os alunos às vezes tinham medo. É aquela coisa: o amor que tinham por ele e também o medo. Porque a severidade era enorme. Eu me lembro dos porteiros lá do prédio onde ele dava aula, que me contavam que de vez em quando tinha até cadeira voando, porque o temperamento do Aldo às vezes passava dos limites do que o professor pode brigar com o aluno. Então realmente são esses momentos que a gente sabe que existiram. É parte da vida de Aldo Baldin."

Para o maestro Helmuth Rilling Baldin “Era um companheiro de trabalho em vários sentidos. Por um lado ele era um maravilhoso cantor, um artista que dominava seu ofício. Por outro lado ele era muito bom professor. Ele sempre era cheio de vitalidade e bem humorado.

O maestro Rolf Beck lembra de uma viagem que fizeram à Jerusalém. "A fé do Aldo era excepcionalmente grande. (...) Nós cantamos quatro ou cinco vezes seguidas a Paixão segundo João, de Bach, num mosteiro com uma maravilhosa igreja, no alto do Monte Sinai, em Jerusalém. Perto dali está o túmulo de Davi. E Aldo disse então, depois do segundo concerto: 'Meu amigo, amanhã de manhã vamos levantar às 6 horas e nós vamos percorrer todo o trajeto da história. Nós não só vamos passar sobre o riacho de Cedrom, mas vamos fazer todo o percurso, assim como está no Evangelho.' (...) Fomos até à Igreja do Sepulcro. E sei que ele estava profundamente emocionado. E assim ele cantou à noite. Como vou dizer? Como se fosse de outro mundo!”

Para a soprano Maria Lúcia Godoy "Aldo Baldin foi a mais bela voz de tenor do mundo. Era uma voz de mel. Escorria naturalmente, assim como a água da fonte. (...) Não havia nenhum esforço. A beleza da voz do Aldo comovia a todos.”

Aldo teve uma carreira brilhante e infelizmente nos deixou muito cedo com a idade de 49 anos.

 

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